No
vasto livro da vida, há capítulos que exploram as nuances mais complexas e
intrigantes do relacionamento humano. E entre essas páginas, encontramos o
capítulo do relacionamento aberto - uma narrativa que desafia as convenções e
convida a uma reflexão profunda sobre amor, liberdade e compromisso.
Imagine,
se me permite, uma paisagem emocional onde os limites tradicionais do amor são
desafiados. É um território onde a confiança é o alicerce, a comunicação é a
estrada e a liberdade é a brisa que dança entre os amantes. Aqui, os corações
não estão confinados por cercas imaginárias, mas sim por um entendimento mútuo
de que a conexão vai além das fronteiras convencionais.
Em
um relacionamento aberto, as regras do jogo são reescritas. Não há lugar para o
ciúme tóxico, mas sim para a compreensão e o apoio mútuos. Cada parceiro é
encorajado a explorar seu próprio eu, a descobrir novas facetas de si mesmo e a
nutrir suas relações fora do núcleo central. É uma dança delicada de equilíbrio
entre a intimidade compartilhada e a autonomia individual.
Contudo,
como em qualquer história, há desafios a serem enfrentados. O medo da
insegurança pode se insinuar nas sombras da mente, questionando a estabilidade
do vínculo. A sociedade, por sua vez, muitas vezes lança olhares julgadores
sobre esse tipo de relacionamento, incapaz de compreender sua complexidade e
profundidade.
Mas
é precisamente nesses momentos de desafio que a verdadeira força do
relacionamento aberto se revela. Requer coragem para desafiar as normas
estabelecidas e para enfrentar os próprios medos e inseguranças. Requer uma
comunicação aberta e honesta, onde os parceiros se envolvem em diálogos
profundos e sinceros sobre suas necessidades, desejos e limites.
E
no cerne desse relacionamento está o amor - um amor que transcende os grilhões
do convencionalismo, um amor que celebra a liberdade e a individualidade de
cada ser humano. É um amor que reconhece que o verdadeiro compromisso não é
medido pela fidelidade sexual, mas sim pela lealdade emocional e pelo apoio
inabalável.
Assim,
enquanto o sol se põe sobre essa paisagem emocional, podemos contemplar a
beleza e a complexidade do relacionamento aberto. É uma jornada de
autodescoberta, de crescimento e de amor incondicional. E, para aqueles que se
aventuram por essas terras desconhecidas, há a promessa de um romance que
desafia todas as expectativas e transcende todas as fronteiras.
"O
crescente interesse e atração pelo tema é bastante compreensível. Todos sabemos
como relacionamentos afetivos são complicados, exigindo uma base de muita
confiança, parceria e conquistas diárias. Atributos esses difíceis de se
conseguir e ainda mais difíceis de manter a longo prazo.
Em
uma sociedade cada vez mais líquida, mutável e flexível, relacionamentos longos
e duradouros são cada vez mais raros e a explicação é bastante óbvia. A
instituição casamento e o padrão monogâmico das relações muitas vezes já não
condiz com a forma e estilo de vida atuais, deixando muitas brechas para que as
pessoas questionem se relações longas e estáveis ainda são possíveis nos
padrões que passamos a viver nas últimas décadas.
Até
o séc. XVIII, casamentos eram simples contratos sociais, motivados por interesses
econômicos e de classes. No século XIX o romantismo estava em alta e o amor
entrou em cena. A busca do grande amor e os desafios vencidos para driblar as
normas sociais e garantir casamentos baseados em amor e paixão foram as grandes
tônicas que consagraram alguns dos heróis do século XX.
O
século XXI apenas intensificou a questão, indo além da presença do amor nos
relacionamentos e incluindo a liberdade como fundamental para a saudabilidade de
uma relação afetiva. Amor e liberdade se torna, então, o lema maior dos relacionamentos
abertos.
Nesse contexto, o que é,
afinal, um relacionamento aberto?!
Uma
das definições mais amplas e bem aceitas é que um relacionamento aberto é uma
forma de parceria física ou romântica que não seja pautada pela exclusividade,
ou seja, uma relação romântica sem a imposição da monogamia convencional.
Em
larga medida, relacionamento aberto é uma generalização do conceito de
relacionamentos não monogâmicos. Uma relação aberta é uma relação que não está
fechada na ideia da monogamia e aceita ser pautada por outras perspectivas,
estando aberta a outras possibilidades.
Uma
relação aberta é muitas coisas, mas não é festa, como muitos pensam.
Um
relacionamento aberto, assim como todo tipo de relação pessoal, é coisa séria e
se apoia em regras e acordos para funcionar, como qualquer relacionamento. A
diferença é que essas regras são definidas através do diálogo entre o casal e
flexibilizadas de acordo com os desejos e necessidades específicas de cada par
e não sob um modelo regulatório pronto e genérico como acontece nas relações
convencionais, onde todo e qualquer casal vive o relacionamento nos mesmos
moldes de monogamia e outras convenções sem refletir se tais regras realmente
satisfazem suas necessidades e desejos.

Por
exemplo, dentro dos relacionamentos abertos há casais que veem com naturalidade
a relação sexual pontual e não recorrente com outros parceiros, há
casais que entendem que o flerte e carícias são inofensivos, mas a
transa em si é prejudicial, há casais que entendem a relação sexual com
terceiros como algo natural, parte do relacionamento, mas consideram a relação
afetiva com outras pessoas impossível de conciliar. O ponto principal é
que o casal está totalmente aberto para manifestar como percebe e
sente as diferentes possibilidades dentro de um relacionamento e chegar a um
acordo sobre o que pode e o que não pode dentro de sua relação.
Por
isso, existem muitos diferentes tipos de relacionamento aberto, entre eles:
Relações
com múltiplos parceiros, quando ambos mantêm outras relações, sejam afetivas ou
sexuais.
Relacionamentos
híbridos, quando um parceiro é monogâmico e o outro não (estando todos cientes
e em acordo).
Relacionamento
livre, quando são mantidas mais de uma relação sem qualquer tipo de hierarquia
entre elas.
Swinging,
quando há trocas ocasionais de casais com fins estritamente sexuais.
Além
de outros possíveis formatos.
Em
tese, o foco não está no formato em si das relações, mas sim em garantir que
elas ofereçam o que todo relacionamento deveria oferecer: liberdade e
honestidade entre o casal.
O
objetivo de manter as relações abertas é contemplar as necessidades
individuais específicas e conciliá-las com as necessidades da própria relação.
Assim como, estar aberto a possíveis ajustes e mudanças ao longo do caminho,
caso os sentimentos e necessidades mudem conforme a relação avança.
Relacionamento Aberto Na
Prática
Se
na teoria esse novo modelo traz premissas que deveriam estar em todo
relacionamento, na prática ele não é para todos. Por quê?
Assim
como os relacionamentos abertos oferecem liberdade e honestidade dentro das
relações, eles exigem flexibilidade e autocontrole. A razão é lógica, manter a
honestidade e sinceridade com o outro exige autoconhecimento e maturidade para
lidar com seus próprios sentimentos. A liberdade também tem duas faces, o
espaço que ela traz pode originar situações positivas e melhorar a relação ou
distanciar o casal e deixá-los tão independentes que eles não vejam mais a
necessidade de manter o elo.
Não
existe fórmula mágica e os efeitos de cada escolha são diferentes em cada caso.
Lidar com isso exige certa solidez psicológica e emocional, justamente por ser
algo relativamente recente (o conceito de relacionamento aberto remonta apenas
aos anos 70), que gera ainda muita confusão e preconceito de terceiros, além de
exigir uma alta capacidade de resolução de problemas, que, sem dúvidas,
surgirão.
É
quase um formato trial em que toda a sociedade está de olho. Claramente, essa
situação não é para qualquer um. É preciso dispor de um estado emocional forte
e bem estruturado, amparado por atributos como autoconhecimento, autocontrole,
autoconfiança e uma visão clara de quais são seus objetivos pessoais com o
relacionamento amoroso.
Isso
não significa que pessoas que vivem relacionamentos abertos são mais evoluídas
ou desenvolvidas emocionalmente, mas que eles estão dispostos a encarar e
vivenciar todas as oscilações emocionais e instabilidades que podem vir à tona
nesse tipo de relação. Por isso, o relacionamento aberto não é ideal para todo
mundo, mas é uma das muitas possibilidades que podem ser consideradas
atualmente.
Abrindo a Relação
Muitos
buscam conhecer mais sobre relacionamento aberto quando estão com problemas em
suas relações já existentes, seja namoros ou casamentos que estão passando por
momentos turbulentos.
Justamente
pelas muitas emoções que esse formato suscita, “abrir a relação” na tentativa
de salvá-la costuma ser ineficiente. O relacionamento aberto não é uma ‘última
alternativa’ e sim a primeira alternativa, se o casal não estiver muito
conectado e alinhado em seus objetivos e desejos dentro da relação, abrir a
intimidade a outras pessoas é muito mais um risco que uma ‘solução em
potencial’, pois trará à tona todas as emoções mais profundas e íntimas de cada
um, o que pode configurar novos problemas e ainda menos soluções.
Lidar
bem com ciúme, insegurança, desconfiança, carência e outros sentimentos que
trazem instabilidade emocional para o indivíduo e para a relação são premissas
e não consequências do relacionamento aberto.
Manter
relações abertas não significa que tais sentimentos não existam e não surgirão
entre o casal, mas sim que o casal irá lidar com eles de forma equilibrada e
saudável. Portanto, se você não se encaixa nesse perfil, dificilmente um
relacionamento aberto irá ser a solução para seus problemas.
Outra
dica para os que têm curiosidade e pensam em se aventurar por esses mares
é testar. Mudar radicalmente o formato de suas relações afetivas do dia
para noite provavelmente não trará bons resultados e tem altas chances de
amplificar traumas e medos. O ideal é fazer pequenas mudanças gradativamente
até chegar no modelo de relação que seja ideal para você e para seu parceiro.
Teste seus limites!
A
principal proposta do conceito de relacionamento aberto é retirar as obrigações
e a ideia de propriedade. A característica mais marcante da relação deve ser a
liberdade, quando essa liberdade se transforma em peso é sinal de que é preciso
repensar.
Abrir
a relação é uma alternativa e não uma obrigação. O conceito todo
surgiu com base na percepção moderna de que cada ser é um indivíduo próprio e
completo em si mesmo, por isso, cada indivíduo tem desejos, necessidades e
perspectivas únicas sobre si, sobre o outro e sobre o mundo. Novas formas de
nos relacionarmos com o mundo a nossa volta são uma tentativa de viver de forma
mais leve, plena e feliz.
Se
você tem qualquer tipo de insatisfação em seus relacionamentos, não
necessariamente você deseja um relacionamento aberto, mas sim quer outra forma
de se relacionar que só você pode descobrir qual é e só descobrirá quando
tentar. Quem sabe você não crie seu próprio formato de relacionamento que se
propagará pela sociedade no futuro?!"
By COC & Blog M.Tarot