segunda-feira, 21 de agosto de 2023

Luz Negra, Luz Estroboscópica, Bola de Cristal e Cuba Libre

Nos anos compreendidos entre 1964 e 1971, uma atmosfera mágica e vibrante envolvia os sábados na pitoresca Vila Marari, bairro onde passei minha adolescência. Os esperados e famosos "bailinhos de garagem" eram o destaque indiscutível. A ansiedade não se limitava apenas à perspectiva do baile em si, mas também às oportunidades de exibir as vestimentas mais descoladas da época. Era a ocasião perfeita para desfilar com as calças "Saint Tropez" de boca de sino, ostentando detalhes vermelhos nas pernas, ou então a cobiçada calça americana "Lee" – um sonho de consumo entre os jovens –, sem mencionar as calças de cintura alta combinadas com camisas psicodélicas. E, é claro, os calçados eram sempre as botinhas pretas de salto carrapeta quadrado. Depois de um banho refrescante, uma leve borrifada do perfume Lancaster, estávamos prontos para a aventura.

Não havia força da natureza que pudesse deter essa celebração. Uma vez definido o local, eu e um punhado de amigos, cada um com sua contribuição, preparávamos a "bagagem" do entretenimento: uma caixa de som montada por nós seguindo o padrão Novik de alta fidelidade (bastante chique, por sinal), um modesto amplificador, uma vitrola Sonata e todos os elementos essenciais para a iluminação. Além disso, carregávamos duas caixas de madeira repletas de LPs, compactos simples e duplos, todos contendo as músicas mais tocadas da época. E assim, com nossa parafernália musical nas mãos e nas costas, partíamos rumo ao local escolhido para a festa.

Normalmente, os bailinhos desabrochavam por volta das 19:00 horas, e quem se importava quando terminavam? Eram eventos realizados em diversos pontos da vila: na garagem da minha própria casa, na residência de Miriam e Cristina Schuls na antiga Rua Alta, também na casa conhecida como "da Gaúcha" (também na Rua Alta), na SAVMA da antiga Rua 9, na moradia da Ângela na antiga Rua Calazans atual Rua Antônio dos Santos Rocha, e ocasionalmente em outras casas, sempre sujeitas à aprovação paternal.

Os bailes eram regados com muita cuba libre e fluíam ao ritmo dos sons de Creedence, Beatles, Bee Gees, Ray Charles, Johnny Rivers, Simon & Garfunkel, Roberto Carlos, Vanderlei Cardoso, Martinho, Gal, Caetano, Jair Rodrigues e uma miríade de outros ícones musicais da época. A noite se dividia naturalmente em sessões de músicas lentas, sambas, rock e, no clímax, uma miscelânea eclética para agradar a todos os gostos. Sempre surgia alguém sugerindo a música "do fulano ou da fulana de tal", mas havia uma certeza inabalável: a última melodia tocada seria invariavelmente "La Mer", com a orquestra de Ray Conniff.

Na própria Vila Marari, um conjunto musical florescia. Os ensaios encontravam seu lar na casa do talentoso guitarrista Jorge, também conhecido como "o japonês". Os nomes de outros membros ainda estão gravados em minha memória: Ary, no contrabaixo; Dimas, na bateria; e Paulinho, carinhosamente apelidado de "Tetinha", dono de uma voz que parecia feita sob medida para entoar "It's Too Late", de Johnny Rivers.

Ah, como eram bons tempos! O perfume da nostalgia envolve essas memórias, trazendo de volta a energia eletrizante da juventude, da música e da camaradagem.


By COC


sexta-feira, 18 de agosto de 2023

Entre as Linhas do Coração

Havia uma cidade onde o tempo parecia se mover mais devagar. Suas ruas estreitas e casas de tijolos antigos guardavam histórias que eram sussurradas pelo vento. No coração dessa cidade, vivia um homem solitário chamado Oliver. Ele era um escritor, alguém que dominava as palavras, mas que tinha dificuldade em entender o idioma complexo do amor.

Oliver costumava sentar-se em seu pequeno escritório, cercado por pilhas de livros empoeirados e uma máquina de escrever que rangia em harmonia com seus pensamentos. Ele escrevia contos sobre casais que se encontravam em situações improváveis, sobre romances que floresciam em meio a aventuras desafiadoras. No entanto, a verdade era que ele nunca havia experimentado o amor dessa maneira.

Uma tarde chuvosa, enquanto as gotas batiam suavemente nas janelas, Oliver conheceu uma mulher chamada Sophia. Ela era uma pintora, com olhos que pareciam conter um mundo inteiro de cores e emoções. Os dois se encontraram em uma livraria local, enquanto Oliver folheava um livro de poesia e Sophia estudava as tintas na seção de arte.

À medida que suas conversas se desdobravam, Oliver sentiu algo que nunca havia sentido antes. Seu coração parecia bater em uma nova cadência, e suas palavras fluíam como rios em direção a Sophia. Ela o desafiava a explorar as nuances do amor em suas histórias, a compreender as dores e as alegrias que ele havia apenas arranhado superficialmente.

Com o tempo, Oliver e Sophia tornaram-se inseparáveis. Eles exploraram a cidade juntos, rindo sob as luzes dos postes nas noites quentes de verão e compartilhando olhares carinhosos nos dias frios de inverno. Oliver começou a perceber que o amor não era apenas um tema a ser explorado em suas histórias, mas uma força profunda e complexa que transformava vidas.

No entanto, assim como as histórias que ele escrevia, o amor de Oliver e Sophia também enfrentou desafios. Eles tiveram discussões acaloradas, momentos de dúvida e incerteza. Oliver percebeu que as dores do amor não eram apenas um clichê literário, mas uma realidade tangível que envolvia sacrifícios e vulnerabilidade.

Em uma noite de primavera, Oliver sentou-se em seu escritório, olhando para a máquina de escrever que agora estava envolta em poeira. Ele refletiu sobre sua jornada com Sophia, sobre como o amor os havia transformado e os havia feito enfrentar suas próprias limitações. Ele começou a escrever uma história, não como as que ele costumava criar, mas uma que refletisse sua própria jornada.

A crônica que Oliver escreveu não era apenas sobre as dores do amor, mas sobre como essas dores podiam moldar e fortalecer os laços entre duas pessoas. Ele escreveu sobre as lágrimas compartilhadas, os perdões concedidos e as palavras não ditas que carregavam um peso profundo. Ele escreveu sobre a beleza das imperfeições humanas e sobre a coragem de amar, mesmo quando o destino parecia incerto.

Com o tempo, Oliver percebeu que suas próprias dores e alegrias haviam se entrelaçado nas palavras que ele colocava no papel. Ele havia encontrado uma nova compreensão do amor, não apenas como um conceito literário, mas como uma força que transcende palavras e alcança o âmago da experiência humana.

E assim, a cidade continuou a sussurrar suas histórias, e Oliver e Sophia encontraram um lugar entre as linhas do coração, onde as dores do amor se transformavam em uma sinfonia de emoções profundas e verdadeiras.


Crônica criada com a ajuda da Inteligência Artificial