Nos anos compreendidos entre 1964 e 1971, uma atmosfera mágica e vibrante envolvia os sábados na pitoresca Vila Marari, bairro onde passei minha adolescência. Os esperados e famosos "bailinhos de garagem" eram o destaque indiscutível. A ansiedade não se limitava apenas à perspectiva do baile em si, mas também às oportunidades de exibir as vestimentas mais descoladas da época. Era a ocasião perfeita para desfilar com as calças "Saint Tropez" de boca de sino, ostentando detalhes vermelhos nas pernas, ou então a cobiçada calça americana "Lee" – um sonho de consumo entre os jovens –, sem mencionar as calças de cintura alta combinadas com camisas psicodélicas. E, é claro, os calçados eram sempre as botinhas pretas de salto carrapeta quadrado. Depois de um banho refrescante, uma leve borrifada do perfume Lancaster, estávamos prontos para a aventura.
Não havia força da natureza que pudesse deter essa celebração. Uma vez definido o local, eu e um punhado de amigos, cada um com sua contribuição, preparávamos a "bagagem" do entretenimento: uma caixa de som montada por nós seguindo o padrão Novik de alta fidelidade (bastante chique, por sinal), um modesto amplificador, uma vitrola Sonata e todos os elementos essenciais para a iluminação. Além disso, carregávamos duas caixas de madeira repletas de LPs, compactos simples e duplos, todos contendo as músicas mais tocadas da época. E assim, com nossa parafernália musical nas mãos e nas costas, partíamos rumo ao local escolhido para a festa.
Normalmente, os bailinhos desabrochavam por volta das 19:00 horas, e quem se importava quando terminavam? Eram eventos realizados em diversos pontos da vila: na garagem da minha própria casa, na residência de Miriam e Cristina Schuls na antiga Rua Alta, também na casa conhecida como "da Gaúcha" (também na Rua Alta), na SAVMA da antiga Rua 9, na moradia da Ângela na antiga Rua Calazans atual Rua Antônio dos Santos Rocha, e ocasionalmente em outras casas, sempre sujeitas à aprovação paternal.
Os bailes eram regados com muita cuba libre e fluíam ao ritmo dos sons de Creedence, Beatles, Bee Gees, Ray Charles, Johnny Rivers, Simon & Garfunkel, Roberto Carlos, Vanderlei Cardoso, Martinho, Gal, Caetano, Jair Rodrigues e uma miríade de outros ícones musicais da época. A noite se dividia naturalmente em sessões de músicas lentas, sambas, rock e, no clímax, uma miscelânea eclética para agradar a todos os gostos. Sempre surgia alguém sugerindo a música "do fulano ou da fulana de tal", mas havia uma certeza inabalável: a última melodia tocada seria invariavelmente "La Mer", com a orquestra de Ray Conniff.
Na própria Vila Marari, um conjunto musical florescia. Os
ensaios encontravam seu lar na casa do talentoso guitarrista Jorge, também
conhecido como "o japonês". Os nomes de outros membros ainda estão
gravados em minha memória: Ary, no contrabaixo; Dimas, na bateria; e Paulinho,
carinhosamente apelidado de "Tetinha", dono de uma voz que parecia
feita sob medida para entoar "It's Too Late", de Johnny Rivers.

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