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| Argos(*) e Ulysses |
A vida é feita
de etapas, e cada uma delas traz desafios únicos. Mas será que existe uma idade
certa para pendurar as botas e desistir de novas aventuras? Se perguntarmos ao
poeta inglês Alfred, Lord Tennyson, a resposta será um sonoro "não!"
No poema Ulysses,
Tennyson nos apresenta um Ulisses inquieto, já avançado em anos, mas cheio de
vontade de viver. Após retornar a Ítaca e cumprir o papel de marido e
governante, ele percebe que uma vida de rotinas pacatas não basta para saciar
seu espírito explorador. Ulisses declara que, mesmo com as limitações da idade,
ainda há muito a buscar.
E quem de nós
não sente, vez ou outra, a inquietação de querer mais? Pode ser aprender algo
novo, redescobrir um antigo hobby ou até se lançar em projetos ousados. Como
diz Ulysses:
"Embora
muito tenha sido tirado, muito permanece."
Essas palavras
são um lembrete de que o passar dos anos tira a força do corpo, mas não a
energia do espírito. E no final do poema, Ulisses nos inspira com um chamado à
ação:
"Ainda podemos,
buscar, encontrar e não ceder."
Não é
maravilhoso pensar que a vida, mesmo em seus capítulos finais, pode ser cheia
de descobertas? Ulysses nos ensina que nunca é tarde para nos aventurarmos,
seja em viagens, ideias ou na simples busca por propósito.
O poema é
muitas vezes lido como uma celebração da vida em todas as suas etapas,
incluindo a velhice. Ele sugere que, mesmo quando as capacidades físicas
diminuem, o espírito de exploração e aprendizado pode continuar forte. Ulisses
não busca descanso; ele anseia por propósito, ação e conexão com o vasto
desconhecido.
Então, que tal?
Que aventuras você ainda quer viver?
Segue abaixo
uma tradução livre de forma resumida do poema.
Ulisses
por Alfred Tennyson
Não vale a pena
este repouso que me cansa,
Reinar entre homens de corações dormentes,
Que comem, dormem e nada sabem ou pensam.
Eu não posso parar; minha alma anseia e dança
Com fome de seguir além do horizonte,
Sempre em busca de novos mundos e verdades.
Este é meu
destino: jamais me conformar,
Pois há vida em mim que o tempo não apaga.
Muito vi, muito sofri, muito lutei
Com aqueles que amei — companheiros do mar.
Troianos e trovões, nós enfrentamos juntos,
Fortes de alma e firmes na tempestade.
Mas não somos o
que já fomos na juventude;
O tempo enfraquece o corpo, mas não o espírito.
A vontade persiste, a coragem persiste,
E a busca pela glória jamais perecerá.
Há muito por fazer antes que a noite caia,
Muito por conhecer antes que a vida finde.
Partamos,
então, sem medo, sem desânimo,
Embora muito tenha sido tirado, muito permanece.
Pois não é tarde demais para novos mundos.
Ainda somos feitos de coragem e força,
De corações que batem como uma maré firme,
E, embora o destino nos seja incerto,
Ainda podemos, buscar, encontrar e não ceder.
By COC - Baseado no
poema Ulysses, de Alfred, Lord Tennyson (1809–1892), e adaptado para
inspirar os leitores a viver plenamente em qualquer idade.
(*) A fidelidade de Argos
O lendário cão Argos (um Galgo) conhecido pela sua velocidade e inteligência, esperou 20 anos pelo retorno de seu amado dono, Ulisses (Odisseu), a Ítaca. Quando Odisseu se aproximou de sua casa, ele encontrou Argos velho, abandonado, maltratado, cheio de parasitas, vítima de malfeitores que tomaram sua terra, ameaçando e matando quem ousasse enfrentá-los. O único que reconheceu Ulisses disfarçado de mendigo imediatamente foi seu cão Argos, nem seu velho amigo o reconheceu. O cão Argos ainda tinha um pouco de forças para baixar as orelhas e abanar o rabo, como que querendo se despedir, mas não conseguia se levantar. Incapaz de cumprimentar seu amado cachorro pois esse gesto revelaria sua verdadeira identidade, Ulisses passou por Argos (com os olhos marejados de lágrimas). Argos morreu abanando o rabo depois de ter reencontrado com Ulisses, após 20 longos anos. Não existe criatura mais fiel que um cachorro!