Tem grupo
que parece relógio de ponto: as pessoas aparecem só pra bater cartão e somem.
Tente você, num impulso ousado, postar uma pergunta tipo “Vocês viram aquela
notícia absurda de hoje?” ou “Alguém aí se lembra como era brincar na rua sem
celular?” — e pronto, você verá mais silêncio do que em velório de peixe.
Faço
parte de vários grupos compostos por amigos e conhecidos, a maioria com mais de
50 anos — pessoas que, com certeza, têm um estoque imenso de histórias,
vivências, opiniões e aprendizados para compartilhar. Ainda assim, percebo que
quando alguém tenta puxar assunto, comentar uma notícia ou simplesmente fazer
uma pergunta mais reflexiva, o grupo se cala. O silêncio pesa. A conversa morre
ali mesmo.
Por que
isso acontece? Medo de se expor? Timidez? Diferenças de opinião? Falta de
vontade? Ou simplesmente o costume de manter as interações no superficial, no
seguro, no automático?
Será que
o povo desaprendeu a conversar? Ou será que a timidez resolveu se espalhar
feito gripe em ônibus lotado? Talvez seja medo de dizer algo e ser mal
interpretado, ou de abrir a boca e escorregar na casca de uma opinião polêmica.
Ou, quem sabe, seja só preguiça mesmo. Vai saber...
É uma
pena, porque estamos perdendo a chance de trocar ideias, de aprender uns com os
outros, de rir das bobagens do cotidiano ou mesmo desabafar sobre as aflições da
vida. Estamos esquecendo que o diálogo é a ponte que nos liga. E que, quanto
mais idade temos, mais bagagem trazemos — e mais rica pode ser essa troca.
Interagir mais não significa polemizar ou se expor demais — significa valorizar a companhia das pessoas com quem dividimos o grupo. E, quem sabe, redescobrir amigos que estavam ali o tempo todo, só esperando um assunto interessante para se soltarem.
E olha
que estamos falando de gente com estrada! Acima dos 50, 60, 70... Um público
com histórias de sobra, que sobreviveu a telefone de disco, leiteiro, VHS e até
à temida educação à base de chinelo! Essas pessoas têm tudo pra transformar um
grupo num verdadeiro sarau virtual. Mas o que acontece? Ficamos na mesmice dos
cumprimentos do dia, como se estivéssemos presos num looping cordial.
Está mais
do que na hora de quebrar esse ciclo. Vamos bater papo, minha gente!
Compartilhar lembranças, contar causos, debater amenidades ou até filosofar
sobre a vida e o uso indevido do emoji de palminhas. Vale tudo: piada boa,
piada ruim (mas contada com graça), receita da vovó, dica de série ou uma
reflexão rápida sobre como era o mundo quando tínhamos que rebobinar a fita
antes de devolver pra locadora.
Grupos de
WhatsApp são pequenas salas de estar digitais. E estar com amigos — mesmo que
por uma telinha — é uma oportunidade valiosa. A idade só nos dá mais motivo pra
não desperdiçar conversa.
Então, da
próxima vez que você for mandar o tradicional “bom dia”, experimente adicionar:
“E vocês, o que têm feito de bom pra mente e pro coração?” Quem sabe não
abrimos espaço pra um papo gostoso, leve, e cheio das nossas melhores
histórias?
Porque
sim: grupo que só dá “bom dia” perde a chance de dar risada, dar conselho... e,
quem sabe, até dar um show de sabedoria. Afinal, envelhecer também é acumular
sabedoria. E sabedoria, quando compartilhada, vira presente.
By COC

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