Hoje, a maioria de nós vive relacionamentos estáveis,
definidos e muitas vezes tranquilos, construídos com base na experiência, no
respeito mútuo e na cumplicidade que só os anos trazem. Mas, convenhamos, antes
da maturidade vir bater à porta, todos nós já tivemos aquele alguém que
bagunçou nossos sentimentos, que fez o coração bater diferente e que, mesmo sem
querer, deixou marcas eternas.
Talvez tenha sido um amor de juventude, daqueles vividos nos
bailes de fim de semana, entre músicas lentas e olhares trocados no escurinho
do salão. Ou um namoro de adolescência, cheio de cartas escritas à mão,
cheirando a perfume e sonhos. Ou até mesmo um amor impossível, que por alguma
razão – distância, família, destino, respeito à família e a sociedade – não
pôde florescer. Mas que floresceu dentro de nós e ficou guardado como uma flor
seca dentro de um livro antigo: intocável, mas presente.
Não se trata de infidelidade ao presente, mas sim de
fidelidade à própria história. Esses amores do passado nos moldaram, ensinaram,
despertaram em nós emoções que, por mais que tenhamos seguido em frente,
deixaram sua semente.
Relembrar essas paixões é como visitar um velho álbum de
família: a gente sorri, às vezes se emociona, mas acima de tudo, reconhece que
tudo aquilo — o vivido e o não vivido — faz parte de quem somos hoje.
Aqueles amores do passado, por mais que tenham gerado
sofrimento na época, são hoje vistos com carinho e, muitas vezes, com a
percepção de que contribuíram para moldar a pessoa que se tornaram. Eles
ensinaram sobre resiliência, sobre a complexidade das relações humanas e sobre
a capacidade do coração de se curar e amar novamente.
Não é incomum que, em momentos de reflexão, a mente divague
para o rosto daquele "certo alguém", para a melodia de uma música que
marcou a relação, ou para a sensação de um tempo que não volta mais. Essas
memórias não diminuem o amor e a felicidade encontrados no presente, mas sim
enriquecem a tapeçaria da vida, lembrando que cada experiência, cada pessoa que
passou por nossos corações, deixou uma marca única e valiosa.
Então, caro leitor, querida leitora, permita-se lembrar. Feche os olhos por
um instante e busque em sua memória aquele alguém que balançou seu coração.
Talvez o nome já esteja distante, mas a sensação ainda mora aí dentro. E, quer
saber? Isso é uma das belezas da vida: os amores podem ir, mas o que
sentimos... ah, isso ninguém tira da gente.
By C.O.C.

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