sexta-feira, 27 de junho de 2025

"Segredos de Liquidificador"

Há quem diga que o tempo apaga tudo. Mas nós, da geração baby boomer (nascidos entre 1946 e 1964), sabemos que o tempo, na verdade, não apaga — ele acomoda. Coloca em gavetas bem organizadas da alma certas histórias, certos rostos, certos olhares… e certos amores que, mesmo tendo passado, nunca deixaram de existir em alguma forma.

Hoje, a maioria de nós vive relacionamentos estáveis, definidos e muitas vezes tranquilos, construídos com base na experiência, no respeito mútuo e na cumplicidade que só os anos trazem. Mas, convenhamos, antes da maturidade vir bater à porta, todos nós já tivemos aquele alguém que bagunçou nossos sentimentos, que fez o coração bater diferente e que, mesmo sem querer, deixou marcas eternas.

Talvez tenha sido um amor de juventude, daqueles vividos nos bailes de fim de semana, entre músicas lentas e olhares trocados no escurinho do salão. Ou um namoro de adolescência, cheio de cartas escritas à mão, cheirando a perfume e sonhos. Ou até mesmo um amor impossível, que por alguma razão – distância, família, destino, respeito à família e a sociedade – não pôde florescer. Mas que floresceu dentro de nós e ficou guardado como uma flor seca dentro de um livro antigo: intocável, mas presente.

Não se trata de infidelidade ao presente, mas sim de fidelidade à própria história. Esses amores do passado nos moldaram, ensinaram, despertaram em nós emoções que, por mais que tenhamos seguido em frente, deixaram sua semente.

Relembrar essas paixões é como visitar um velho álbum de família: a gente sorri, às vezes se emociona, mas acima de tudo, reconhece que tudo aquilo — o vivido e o não vivido — faz parte de quem somos hoje.

Aqueles amores do passado, por mais que tenham gerado sofrimento na época, são hoje vistos com carinho e, muitas vezes, com a percepção de que contribuíram para moldar a pessoa que se tornaram. Eles ensinaram sobre resiliência, sobre a complexidade das relações humanas e sobre a capacidade do coração de se curar e amar novamente.

Não é incomum que, em momentos de reflexão, a mente divague para o rosto daquele "certo alguém", para a melodia de uma música que marcou a relação, ou para a sensação de um tempo que não volta mais. Essas memórias não diminuem o amor e a felicidade encontrados no presente, mas sim enriquecem a tapeçaria da vida, lembrando que cada experiência, cada pessoa que passou por nossos corações, deixou uma marca única e valiosa.

Então, caro leitor, querida leitora, permita-se lembrar. Feche os olhos por um instante e busque em sua memória aquele alguém que balançou seu coração. Talvez o nome já esteja distante, mas a sensação ainda mora aí dentro. E, quer saber? Isso é uma das belezas da vida: os amores podem ir, mas o que sentimos... ah, isso ninguém tira da gente.


By C.O.C.

Nenhum comentário:

Postar um comentário