...sem interesse algum, com os
pensamentos voltados para o que poderia estar "rolando" fora da
escola, assisti às aulas do primeiro bimestre. Uma vez ou outra
"enforquei" algumas aulas nesse período, principalmente as de Português,
não gostava do professor cujo nome era Lelis. Ele tinha um rosto bochechudo que
parecia a daqueles moleques que chuparam chupeta e mamadeira até os dez anos de
idade (lembram daquele bicão de borracha vermelho?), o
apelido dele entre nós era "fuinha".
Em um dos dias que cabulei a
aula dele, resolvi também dar folga para o resto da classe (era a terceira
aula, isto é, a primeira depois do recreio). Saí da escola e como de costume
fui direto para a quitanda, alí era o "point". Encontrei minha
turminha lá e, conversa vai conversa vem, percebi que tinha uns ovos de galinha
separados num canto do balcão, eles não estavam na prateleira no local
habitual, então, curioso como sempre, perguntei para o filho do dono (outro moleque da mesma idade) o
por que daquilo e ele disse-me que eram
ovos chocos, que estavam estragados, podres e que seriam jogados fora, não
perto dalí, pois se quebrassem ninguém iria agüentar o cheiro nas imediações.
Adivinhem? Questionei se poderia me dar uns 3, disse que sim, então coloquei os
três em um saco de papel amarelo (não existia saquinho plástico naquela época).
Voltei para escola e, com cuidado para não ser visto, através de um vidro
quebrado de uma das janelas, do lado externo, agachado, arremessei um de cada
vez em três pontos diferentes da sala de aula e perna pra quem tem. Correria e
gritaria geral. Eu soube posteriormente que os alunos evacuaram a sala em dois
minutos sem saberem o que de fato, além do mau cheiro indescritível, tinha
acontecido. Levaram dois dias para o cheiro sair totalmente. Pena não ter
acertado a cabeça do "fuinha". Ainda estão procurando por quem fez
aquilo. O caso sem solução, ficou marcado nos anais da escola. Será que vou pro
céu?
![]() |
| bicão de mamadeira |
Na contra mão do que tinha sido
planejado no final do ano anterior, as notas do primeiro bimestre foram absurdamente
péssimas. Mas ainda eu tinha a expectativa de que poderia ser melhorado no
segundo. Ledo engano meu.
No segundo bimestre, a cada dia que
passava, sentia que a escola estava apenas servindo de pretexto para as minhas
excitantes aventuras de moleque. Começaram então surgir as primeiras paqueras na escola, o
coração andava "xonado", aí as coisas desandaram de vez.
Eram namoricos que duravam pouco tempo, no máximo seis ou oito semanas, desta forma, a Kimiko (que parecia uma boneca de louça), a Keiko (apesar do personagem no cinema ter sido criado muito tempo depois, ela já era sem dúvida um "Rambo" de saia,...a japonezinha me deu muito trabalho!), a Regina (que me trocou por um garoto que trabalhava em uma relojoaria), a Janete (que tinha o beiço caído, parecia fumante de cachimbo), e outras, cujo nome não lembro mas tenho recordações, fizeram com que eu despendesse muito tempo com bilhetinhos e encontros escondidos em vez de me dedicar aos estudos. Enforcava-mos aulas juntos e saíamos a passear de mãos dadas pelas ruas nas redondezas da escola. Que romântico, não era lindo!!!? Um dia, tinha combinado de sair com uma delas, livrei-me do material escolar (a quitanda, como sempre, era o fiel depositário) e a caminho do encontro, em uma rua tranqüila, avistei no jardim de uma casa que possuia um muro de tijolo na parte baixa e gradeado na parte de cima, uma linda rosa amarela, da qual resolvi apossar-me para que romanticamente pudesse oferecer à incauta.
Assim que, do lado de fora da casa, me apoiei no muro e enfiei o braço através da grade para colhê-la senti minha bunda ser abocanhada pela boca de um cachorro, que além de cravar os seus dentes, chacoalhou, puxou e rasgou minha calça. Dancei. Doeu durante uns cinco dias. Acabei perdendo a namorada (não por isso). Dias depois passei no mesmo local e nem a rosa nem tão pouco o cachorro estavam mais lá.
Poucos dias depois de confirmado que de fato a vaca tinha ido pro brejo, numa tarde ensolarada e preguiçosa, sentado na beira da lagoa do "seu João", que merece uns capítulos à parte, fumando um cigarrinho da marca Continental, curto e sem filtro (era o que tinha para o momento e ainda tinha que deixar a bituca para pelo menos mais dois moleques fumarem também, não sobrava nada! De vez em quando a gente usava dois pedaços de pauzinhos para segurar o cigarro, evitando queimaduras nos dedos e lábios), entre uma tragada e outra, filosofando e jogando conversa fora, falei sobre minha situação e receios com dois amigos do "peito" (vejam bem, amigos do peito e não de troca-troca) de nomes Mário e Anderson e, ambos comentaram que por razões diferentes da minha eles também estavam enfrentando problemas em casa com os pais. Apesar que, na minha opinião, os problemas deles não eram tão graves assim quanto aos meus, ouvir isto deles me deu uma sensação de alívio, senti uma cumplicidade estabelecida naquele momento, não era só eu que estava "fu...", poderiam ser meus aliados, podia então contar com eles para por meu plano nada complexo em andamento. Então, tinha que aproveitar aquele momento de fragilidade deles e, sem remorsos, resoluto, aguerrido, com ar de um grande estrategista, olhando seriamente (acreditem ou não) para ambos, perguntei:
co ntinua na próxima semana...
Eram namoricos que duravam pouco tempo, no máximo seis ou oito semanas, desta forma, a Kimiko (que parecia uma boneca de louça), a Keiko (apesar do personagem no cinema ter sido criado muito tempo depois, ela já era sem dúvida um "Rambo" de saia,...a japonezinha me deu muito trabalho!), a Regina (que me trocou por um garoto que trabalhava em uma relojoaria), a Janete (que tinha o beiço caído, parecia fumante de cachimbo), e outras, cujo nome não lembro mas tenho recordações, fizeram com que eu despendesse muito tempo com bilhetinhos e encontros escondidos em vez de me dedicar aos estudos. Enforcava-mos aulas juntos e saíamos a passear de mãos dadas pelas ruas nas redondezas da escola. Que romântico, não era lindo!!!? Um dia, tinha combinado de sair com uma delas, livrei-me do material escolar (a quitanda, como sempre, era o fiel depositário) e a caminho do encontro, em uma rua tranqüila, avistei no jardim de uma casa que possuia um muro de tijolo na parte baixa e gradeado na parte de cima, uma linda rosa amarela, da qual resolvi apossar-me para que romanticamente pudesse oferecer à incauta.
Assim que, do lado de fora da casa, me apoiei no muro e enfiei o braço através da grade para colhê-la senti minha bunda ser abocanhada pela boca de um cachorro, que além de cravar os seus dentes, chacoalhou, puxou e rasgou minha calça. Dancei. Doeu durante uns cinco dias. Acabei perdendo a namorada (não por isso). Dias depois passei no mesmo local e nem a rosa nem tão pouco o cachorro estavam mais lá.
O tempo passava e nada de estudos,
meus pais não sabiam que a minha situação estava preta. Quando perguntado sobre
como as coisas estavam indo na escola eu sempre dizia que tudo estava bem e
sempre arrumava uma desculpa para não apresentar a caderneta escolar. Dizem que
"pior que está não fica", ficou sim. No segundo e terceiro bimestre
mais vadiei do que freqüentei as aulas. Desnecessário dizer que as notas
ficaram abaixo do esperado, uma vergonha. "Que merda hein
"Clovinho"? Tarde demais. Reprovação a vista. Seria jubilado na
escola, iria dar continuidade nos estudos aonde? Desta vez não haveria perdão
em casa, eu não sabia o que poderia acontecer comigo. O que fazer agora? O medo
de apanhar do meu pai era maior que qualquer coisa no mundo. Achava que ia
morrer. (Podem dizer que eu tinha medo mas não tinha vergonha!)
Na minha cabeça só existia uma saída.
Estávamos no mês de Outubro, precisava agir o mais rápido possível.
Poucos dias depois de confirmado que de fato a vaca tinha ido pro brejo, numa tarde ensolarada e preguiçosa, sentado na beira da lagoa do "seu João", que merece uns capítulos à parte, fumando um cigarrinho da marca Continental, curto e sem filtro (era o que tinha para o momento e ainda tinha que deixar a bituca para pelo menos mais dois moleques fumarem também, não sobrava nada! De vez em quando a gente usava dois pedaços de pauzinhos para segurar o cigarro, evitando queimaduras nos dedos e lábios), entre uma tragada e outra, filosofando e jogando conversa fora, falei sobre minha situação e receios com dois amigos do "peito" (vejam bem, amigos do peito e não de troca-troca) de nomes Mário e Anderson e, ambos comentaram que por razões diferentes da minha eles também estavam enfrentando problemas em casa com os pais. Apesar que, na minha opinião, os problemas deles não eram tão graves assim quanto aos meus, ouvir isto deles me deu uma sensação de alívio, senti uma cumplicidade estabelecida naquele momento, não era só eu que estava "fu...", poderiam ser meus aliados, podia então contar com eles para por meu plano nada complexo em andamento. Então, tinha que aproveitar aquele momento de fragilidade deles e, sem remorsos, resoluto, aguerrido, com ar de um grande estrategista, olhando seriamente (acreditem ou não) para ambos, perguntei:
- ceis topam fugir de casa?









