...continuação
...tudo
caminhava bem, até chegar o período de provas, a minha primeira avaliação. Até
então ninguém tinha me informado que era preciso fazer provas, pode uma coisa
dessas gente?
Não sabia
o que era, mas já sentia e vim descobrir bem mais tarde na minha vida que
aquele frio que eu sentia na barriga nesses períodos chamava-se
"stress", chique não?, e eu achava que era cagaço, então meu “stress” começou quando eu tinha seis anos e meio
de idade, é mole? O pior é que esse cagaço
acompanhou-me durante toda vida acadêmica. Assim, deste jeito, o ano letivo foi
lentamente passando, até chegar ao seu término, claro que com minha aprovação
para a próxima fase. Parece que naqueles tempos um ano demorava cinco para
passar.
Pois bem,
passaram-se as férias e um novo período escolar estava prestes a começar, mas
agora eu já era um aluno experiente, bastante escolado, afinal, eu estava no
segundo ano do curso primário, já olhava por cima os alunos do primeiro, que
metido heim!
O nome da professora era Leda, ela usava um óculos tipo fundo de
garrafa que não dava para ver os olhos dela e isto dificultava ver para quem
ela estava olhando na sala de aula. Foi neste ano que tive os meus primeiros
relâmpagos/lampejos de travessura, sem perder a ternura e a meiguice do olhar de
uma criança (bem filosófico isso heim?). Mesmo assim, claro que fui aprovado para freqüentar o
terceiro ano, mas não com a mesma facilidade com que fui para o segundo.
Na sala de
aula as carteiras eram duplas, de madeira, o assento era ripado com pequenas
frestas alternadas, proporcionando uma visão do traseiro do menino ou da menina que
sentava na fileira à sua frente, a classe era mista, novo deslumbre para
mim.
Nós moravamos num bairro recem criado na perifería da
zona sul de São Paulo, que ainda possuia algums ares de zona rural, sem estrutura alguma, não tinha ruas, eram trilhas os
caminhos que andavamos e o que não faltava nas redondezas era mato nativo,
tinha até uma lagoa que foi por nós, moleques, denominada de: “lagoa do seu
João” (falo sobre ela outro dia). Uma das travessuras de que me lembro aconteceu
num belo dia de inspiração. Antes de ir para escola apanhei no mato uma boa
quantidade de "picão" (nome científico: Bidens pilosa), aquele matinho de ponta
amarela que gruda na roupa, (hoje em dia tem moça tomando chá de picão, dizem que é bom para acalmar)
e levei comigo. Lá chegando, antes da hora do recreio, não tive dúvidas, sem
que percebessem, pela fresta da cadeira grudei uns pares de picão na bunda dos
meninos que sentavam à minha frente, imaginem a gozação que foi na hora do
recreio, eles brincando de pega-pega de lá prá cá e daqui prá lá com aquilo
pendurado no traseiro (hoje eu poderia ser processado por "bullying
escolar"), bom, não preciso dizer que aconteceu. Após a abertura imediata de um pequeno inquérito administrativo escolar infantil sobre o acontecido e a ameaça pela professora de deixar a classe uma semana sem o horário de recreio, o meu colega de carteira,
cujo nome não lembro, (o primeiro dedo-duro da minha vida) contou para a
professora que tinha sido eu, e ponto.
Sem direito de defesa e apelação, o julgamento e a sentença aconteceram minutos depois da traquinice. O castigo na escola foi ficar em pé num canto da sala olhando de frente para os alunos uns quarenta minutos e em casa duas semanas de estudo direto sem direito de ir brincar na rua um pouquinho que fosse além dos puxões de orelhas (pena leve). Vale a pena lembrar que o bairro em que eu morava não possuia rede de energia elétrica, significando que minha mãe usava ferro a carvão para passar roupa e o cabo de fio elétrico de ferro de passar foi introduzido posteriormente na minha educação (principalmente no traseiro) com o avanço da infraestrutura local tempos depois, mas as alpargatas roda (1) já exitiam e não eram nada confortavéis quando em contato com o traseiro alheio, quem disse que apanhar não educa? Começou a perseguição que falei antes e a dona Leda passou a ser uma cegueta detestável. E por aí, assim, fui levando minha vidinha imprevisível, com uma criatividade terrível para fazer aquilo que hoje chamamos de: o não politicamente correto...
Sem direito de defesa e apelação, o julgamento e a sentença aconteceram minutos depois da traquinice. O castigo na escola foi ficar em pé num canto da sala olhando de frente para os alunos uns quarenta minutos e em casa duas semanas de estudo direto sem direito de ir brincar na rua um pouquinho que fosse além dos puxões de orelhas (pena leve). Vale a pena lembrar que o bairro em que eu morava não possuia rede de energia elétrica, significando que minha mãe usava ferro a carvão para passar roupa e o cabo de fio elétrico de ferro de passar foi introduzido posteriormente na minha educação (principalmente no traseiro) com o avanço da infraestrutura local tempos depois, mas as alpargatas roda (1) já exitiam e não eram nada confortavéis quando em contato com o traseiro alheio, quem disse que apanhar não educa? Começou a perseguição que falei antes e a dona Leda passou a ser uma cegueta detestável. E por aí, assim, fui levando minha vidinha imprevisível, com uma criatividade terrível para fazer aquilo que hoje chamamos de: o não politicamente correto...
...continua na
próxima semana.
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