As Interpretações
Entre os presentes, todas as explicações divergiam, não levando a conclusão alguma, fato que denunciou mais uma vez a já indiscutivel genialidade do ministro. Porém, ao final do jantar, depois que boa parte dos homenageantes tinham ido embora, o faxineiro, antes de passar o pano no quadro-negro, ficou parado, estarrecido, diante da composição doutoral e logogrífica. Procurando entender os cabalísticos hieróglifos, balbuciou a seguinte análise, considerada a melhor interpretação pelos empresários que permaneciam no local esvaziando as última garrafas:
"Se os zero vírgula dois por cento dos capitalistas (c) do país continuarem a pagar salários (s) iguais ao ano anterior (aa) e aumentarem os preços (p) dos seus produtos a duzentos e setenta por cento, terão uma vantangem (V) (ou mais valia?) que vai possibilitar um lucro (L) multiplicado várias vezes. Assim, todo faturamento do país (TFP) será igual ao do ano anterior (aa) correspondente ao produto interno bruto (PIB), desde que o salário-mínimo seja mantido (SM). Desta forma, o governo (G) poderá aumentar os impostos (1) em duzentos e oitenta por cento, os capitalistas aumentarão (c) seus lucros (L) muitas vezes mais, e O Povo Estará Fodido (OPEF)."
Fonte:
Na República de Primeiro de Abril - Paulo Celso Rangel
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